Futuro do trabalho: quatro destinos a escolher

11/07/2024
Futuro do trabalho: quatro destinos a escolher | JValério

Pesquisas revelam a preferência dos colaboradores, incluindo executivos, quando o assunto é onde e como cumprir com as demandas profissionais

Apesar das mudanças serem inevitáveis, o futuro do trabalho ainda é um tema controverso em muitas organizações. Se por um lado existem empresas que assimilaram os tempos modernos rapidamente, adotando de vez os formatos híbrido e remoto impostos no período da pandemia, de outro há quem ainda resiste às interações corporativas à distância ao defender, com unhas e dentes, a importância do presencial em nome da produtividade e tantos outros argumentos, por vezes, convincentes.

O fato é que estamos presenciando uma quebra de paradigma laboral devido a fatores como a globalização, a transformação digital e, claro, a preferência dos próprios profissionais. Além do avanço da inteligência artificial, considerada protagonista quando o assunto é automatizar tarefas repetitivas e cotidianas (para não dizer maçantes, em alguns casos) e por proporcionar altos níveis de precisão em diversas atividades, as reivindicações das novas gerações também estão sobre a mesa e influenciam diretamente à volta ao escritório.

Independentemente da sua preferência - e se as opções a seguir são viáveis ou não no seu nicho de atuação -, vejamos como as abordagens atuais, altamente dinâmicas e desafiadoras, impactam o ecossistema empresarial - sobretudo, nas gestões mais rígidas - e o dia a dia dos executivos. Afinal, tudo indica que se trata de um caminho sem volta capaz de obrigar os responsáveis pelas estruturas organizacionais a repensarem suas culturas e estratégias. Resta saber se as alterações serão feitas em doses homeopáticas ou de forma radical.

O que dizem as pesquisas sobre o futuro do trabalho

De acordo com um estudo da Gartner, consultoria especializada em recursos humanos, não é só a geração Z (nascidos entre a segunda metade da década de 1990 a 2010) que almeja flexibilidade e inovação no ambiente de trabalho: tudo indica que por trás dos cargos estratégicos estão pessoas na mesma sintonia. Dos 3.500 profissionais ouvidos, 33% revelaram que pediriam demissão caso o retorno ao regime presencial fosse uma imposição. Para se ter uma ideia, em funções hierárquicas inferiores, só 19% afirmaram que tomaria essa decisão. Ou seja, tudo indica que a revolução - quase silenciosa - já começou e, ao contrário do senso comum, ela pode estar partindo de cima.

Realizada em novembro de 2023, mas divulgada apenas em maio deste ano, a pesquisa revela o que muita gente, em especial os colaboradores, julga ser utopia: os sêniores não estão imunes às expectativas crescentes em relação a equilibrar carreira com tantos outros aspectos, a exemplo de qualidade de vida, saúde (física e mental) e bem-estar. Aliás, para o economista e pesquisador, Nick Bloom, trabalhadores entre 30 e 44 anos têm maior probabilidade de ter filhos pequenos ou enfrentar longos deslocamentos para ir de casa ao trabalho. Em outras palavras, para a maioria dessa galera nada mais justo que se manter em home office para tentar dar conta de tudo.

Tais informações chegam justamente no momento em que grandes companhias estão começando a restringir modelos remotos ou híbridos, a exemplo de big techs como Apple, Microsoft e SpaceX, de Elon Musk (quem diria). Enquanto determinados grupos de funcionários estão sendo solicitados presencialmente cinco dias por semana devido à preocupação dos líderes com comprometimento, colaboração e fortalecimento de equipes, os talentos podem estar mirando outras oportunidades em detrimento da falta de confiança dos seus atuais empregadores.

Formatos de trabalho e impactos na rotina empresarial

As administrações que já comprovaram as vantagens, sobretudo, econômicas, de abandonar os espaços físicos estão cada vez mais ligadas nas possibilidades de atuação usando todo o potencial da era digital. Em contrapartida, a maioria se mostra engajada em implementar um meio termo que possa ser considerado viável e saudável por todos os envolvidos. Real ou virtual, o atual cenário se divide em quatro principais modalidades passíveis de se tornarem o futuro do trabalho a depender da organização: home office, remoto, híbrido e presencial.

1. Home office

Para ser considerado home office, o profissional precisa necessariamente trabalhar de casa ou de um coworking, esporadicamente ou de maneira contínua. De modo geral, é exigido que se cumpra uma carga horária - turno integral ou de meio período - na qual se esteja à disposição dos gestores e demais demandas. Por esse motivo, pode acontecer do expediente ser igual ao dos colegas não fosse a localização geográfica diferente. Portanto, convém se atentar ao dresscode para não ser pego de surpresa por uma reunião via chamada de vídeo inesperada.

Vantagens: flexibilidade, economia de tempo e recursos, privacidade, conforto.

Desvantagens: distrações, ausência de infraestrutura adequada (se não fornecida pelo empregador), segurança de dados e propriedade intelectual.

2. Remoto

Chamamos de trabalho remoto toda prestação de serviços que é feita à distância. Isto é, quando o colaborador não exerce suas funções nas dependências do escritório da empresa. Ele pode estar na mesma cidade, em outro país, trabalhar de casa, em um coworking ou viajando o mundo, pois o que definirá o cumprimento será a qualidade da entrega. Aqui, os contatos tendem a ser previamente agendados, assim como os deadlines e demais prazos relacionados à produção.

Vantagens: escalas flexíveis, proximidade com a família, gerenciamento do tempo, acordos profissionais.

Desvantagens: isolamento social, dificuldade de interação, excesso de trabalho.

3. Híbrido

Atualmente, o híbrido figura como uma tentativa de conciliar o melhor dos dois mundos: a flexibilidade do home office e a colaboração face a face do ambiente presencial. Assim, os funcionários alternam entre trabalhar em casa e no escritório. Essa abordagem promete promover a conexão entre colegas, ao mesmo tempo em que oferece a liberdade de escolha quanto ao local de trabalho. No entanto, a implementação bem-sucedida do modelo híbrido requer uma infraestrutura robusta de tecnologia e políticas claras para garantir uma colaboração eficaz e uma cultura inclusiva.

Vantagens: retenção de talentos, redução das despesas básicas (energia, internet, água, vale-transporte e outros custos), aumento da produtividade e motivação, inovação na cultura organizacional.

Desvantagens: limites confusos no cronograma, continuidade de projetos em equipe na ausência de sistemas e meios de comunicação eficientes, excesso de reuniões.

4. Presencial

Como o nome diz, o trabalho presencial, por sua vez, é o regime tradicional no qual é necessário se deslocar até as dependências da empresa para exercer as funções. Embora o modelo remoto tenha oferecido vantagens inegáveis, como aumento da produtividade e satisfação dos funcionários, muitas organizações reconhecem o valor intrínseco da interação cara a cara para criatividade, inovação e criação e fortalecimento de um fit corporativo sólido.

Vantagens: desenvolvimento profissional, treinamentos, interação, rapidez na tomada de decisões, relacionamentos interpessoais, feedback contínuo.

Desvantagens: gastos com deslocamentos, rotina pouco flexível, atrasos, microgerenciamento de tarefas.

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