Pesquisas revelam a preferência dos colaboradores, incluindo executivos, quando o assunto é onde e como cumprir com as demandas profissionais
Apesar das mudanças serem inevitáveis, o futuro do trabalho ainda é um tema controverso em muitas organizações. Se por um lado existem empresas que assimilaram os tempos modernos rapidamente, adotando de vez os formatos híbrido e remoto impostos no período da pandemia, de outro há quem ainda resiste às interações corporativas à distância ao defender, com unhas e dentes, a importância do presencial em nome da produtividade e tantos outros argumentos, por vezes, convincentes.
O fato é que estamos presenciando uma quebra de paradigma laboral devido a fatores como a globalização, a transformação digital e, claro, a preferência dos próprios profissionais. Além do avanço da inteligência artificial, considerada protagonista quando o assunto é automatizar tarefas repetitivas e cotidianas (para não dizer maçantes, em alguns casos) e por proporcionar altos níveis de precisão em diversas atividades, as reivindicações das novas gerações também estão sobre a mesa e influenciam diretamente à volta ao escritório.
Independentemente da sua preferência - e se as opções a seguir são viáveis ou não no seu nicho de atuação -, vejamos como as abordagens atuais, altamente dinâmicas e desafiadoras, impactam o ecossistema empresarial - sobretudo, nas gestões mais rígidas - e o dia a dia dos executivos. Afinal, tudo indica que se trata de um caminho sem volta capaz de obrigar os responsáveis pelas estruturas organizacionais a repensarem suas culturas e estratégias. Resta saber se as alterações serão feitas em doses homeopáticas ou de forma radical.
De acordo com um estudo da Gartner, consultoria especializada em recursos humanos, não é só a geração Z (nascidos entre a segunda metade da década de 1990 a 2010) que almeja flexibilidade e inovação no ambiente de trabalho: tudo indica que por trás dos cargos estratégicos estão pessoas na mesma sintonia. Dos 3.500 profissionais ouvidos, 33% revelaram que pediriam demissão caso o retorno ao regime presencial fosse uma imposição. Para se ter uma ideia, em funções hierárquicas inferiores, só 19% afirmaram que tomaria essa decisão. Ou seja, tudo indica que a revolução - quase silenciosa - já começou e, ao contrário do senso comum, ela pode estar partindo de cima.
Realizada em novembro de 2023, mas divulgada apenas em maio deste ano, a pesquisa revela o que muita gente, em especial os colaboradores, julga ser utopia: os sêniores não estão imunes às expectativas crescentes em relação a equilibrar carreira com tantos outros aspectos, a exemplo de qualidade de vida, saúde (física e mental) e bem-estar. Aliás, para o economista e pesquisador, Nick Bloom, trabalhadores entre 30 e 44 anos têm maior probabilidade de ter filhos pequenos ou enfrentar longos deslocamentos para ir de casa ao trabalho. Em outras palavras, para a maioria dessa galera nada mais justo que se manter em home office para tentar dar conta de tudo.
Tais informações chegam justamente no momento em que grandes companhias estão começando a restringir modelos remotos ou híbridos, a exemplo de big techs como Apple, Microsoft e SpaceX, de Elon Musk (quem diria). Enquanto determinados grupos de funcionários estão sendo solicitados presencialmente cinco dias por semana devido à preocupação dos líderes com comprometimento, colaboração e fortalecimento de equipes, os talentos podem estar mirando outras oportunidades em detrimento da falta de confiança dos seus atuais empregadores.
As administrações que já comprovaram as vantagens, sobretudo, econômicas, de abandonar os espaços físicos estão cada vez mais ligadas nas possibilidades de atuação usando todo o potencial da era digital. Em contrapartida, a maioria se mostra engajada em implementar um meio termo que possa ser considerado viável e saudável por todos os envolvidos. Real ou virtual, o atual cenário se divide em quatro principais modalidades passíveis de se tornarem o futuro do trabalho a depender da organização: home office, remoto, híbrido e presencial.
Para ser considerado home office, o profissional precisa necessariamente trabalhar de casa ou de um coworking, esporadicamente ou de maneira contínua. De modo geral, é exigido que se cumpra uma carga horária - turno integral ou de meio período - na qual se esteja à disposição dos gestores e demais demandas. Por esse motivo, pode acontecer do expediente ser igual ao dos colegas não fosse a localização geográfica diferente. Portanto, convém se atentar ao dresscode para não ser pego de surpresa por uma reunião via chamada de vídeo inesperada.
Vantagens: flexibilidade, economia de tempo e recursos, privacidade, conforto.
Desvantagens: distrações, ausência de infraestrutura adequada (se não fornecida pelo empregador), segurança de dados e propriedade intelectual.
Chamamos de trabalho remoto toda prestação de serviços que é feita à distância. Isto é, quando o colaborador não exerce suas funções nas dependências do escritório da empresa. Ele pode estar na mesma cidade, em outro país, trabalhar de casa, em um coworking ou viajando o mundo, pois o que definirá o cumprimento será a qualidade da entrega. Aqui, os contatos tendem a ser previamente agendados, assim como os deadlines e demais prazos relacionados à produção.
Vantagens: escalas flexíveis, proximidade com a família, gerenciamento do tempo, acordos profissionais.
Desvantagens: isolamento social, dificuldade de interação, excesso de trabalho.
Atualmente, o híbrido figura como uma tentativa de conciliar o melhor dos dois mundos: a flexibilidade do home office e a colaboração face a face do ambiente presencial. Assim, os funcionários alternam entre trabalhar em casa e no escritório. Essa abordagem promete promover a conexão entre colegas, ao mesmo tempo em que oferece a liberdade de escolha quanto ao local de trabalho. No entanto, a implementação bem-sucedida do modelo híbrido requer uma infraestrutura robusta de tecnologia e políticas claras para garantir uma colaboração eficaz e uma cultura inclusiva.
Vantagens: retenção de talentos, redução das despesas básicas (energia, internet, água, vale-transporte e outros custos), aumento da produtividade e motivação, inovação na cultura organizacional.
Desvantagens: limites confusos no cronograma, continuidade de projetos em equipe na ausência de sistemas e meios de comunicação eficientes, excesso de reuniões.
Como o nome diz, o trabalho presencial, por sua vez, é o regime tradicional no qual é necessário se deslocar até as dependências da empresa para exercer as funções. Embora o modelo remoto tenha oferecido vantagens inegáveis, como aumento da produtividade e satisfação dos funcionários, muitas organizações reconhecem o valor intrínseco da interação cara a cara para criatividade, inovação e criação e fortalecimento de um fit corporativo sólido.
Vantagens: desenvolvimento profissional, treinamentos, interação, rapidez na tomada de decisões, relacionamentos interpessoais, feedback contínuo.
Desvantagens: gastos com deslocamentos, rotina pouco flexível, atrasos, microgerenciamento de tarefas.
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