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Artigo: O imperativo do intraempreendedorismo

Postado em 29 de outubro de 2020 por JValério
O imperativo do intraempreendedorismo

Em artigo publicado para a Revista DOM, o professor Alexandre de Araújo Castro fala sobre um caminho possível para organizações de médio e grande porte em busca de melhoria da performance, vantagem competitiva e inovação. Castro foi o convidado do Fórum Empresarial Live, que aconteceu na quarta-feira (28). Faça a sua inscrição para os próximos encontros online.

 

 

Proponho aqui uma reflexão para acionistas, dirigentes e altos executivos de organizações de médio ou grande porte. Imagine que, neste momento, você tem uma missão muito especial – substituir os principais gestores da empresa. Como selecionaria os novos contratados? Certamente, buscaria profissionais diferenciados que possam fazer melhores entregas. Toda função demanda algumas competências e habilidades específicas. Mas, além do conhecimento técnico, de processos ou sistemas, as empresas estão interessadas na postura e no comportamento do profissional. Qual seria, então, o perfil ideal? Há alguns anos, durante uma reunião de trabalho, fiz uma pergunta semelhante ao CEO de uma grande multinacional. Qual era o perfil profissional que aquela organização, líder mundial no seu setor, valorizava, queria atrair e reter em seus quadros?

 

A resposta veio rapidamente: “Ah, nós excluímos os analfabetos. Entendemos que existem três tipos de analfabetos: o primeiro é aquele que não sabe ler e escrever. Esse, infelizmente, não é candidato a trabalhar conosco. O segundo não domina sistemas e ferramentas de informática que fazem parte da realidade do colaborador de uma empresa como a nossa. O outro tipo de analfabeto é o profissional que não domina uma segunda língua. Somos uma empresa de atuação global e, frequentemente, precisamos remanejar colaboradores para outros países e esta é uma questão fundamental”.

 

Nossa conversa aconteceu em 1998, ou seja, 21 anos atrás. Muitas transformações importantes ocorreram de lá para cá. Inicialmente, em termos de conectividade e disponibilidade de informações. Naquela época, não tínhamos banda larga, Google, Wikipédia, Facebook, LinkedIn e tantos outros aplicativos e redes sociais. Nas últimas duas décadas, acompanhamos a evolução da internet e como as organizações e as pessoas se conectaram em uma grande rede mundial.

 

A disponibilidade e o acesso às informações também deram enormes saltos. No mercado, houve um empoderamento significativo dos consumidores. Hoje, além de bem informados, eles invadem sites de reclamações e redes sociais, com comentários e críticas, numa velocidade de visualização alarmante. Reputações são facilmente abaladas ou mesmo destruídas por esses movimentos. Segundo Philip Kotler, em pouco tempo não existirão mais empresas medíocres. É como se as organizações atuais estivessem dentro de um aquário – todos conhecem os preços, diferenciais, propósitos, boas ou más práticas e a reputação das empresas. Nesse cenário, somente as excelentes vão sobreviver.

 

A capacidade empreendedora de algumas pessoas está transformando o mundo em algo cada vez mais parecido com o icônico brinquedo do cubo mágico. Ou melhor, com uma esfera mágica. Que a todo momento muda de configuração, em função das transformações tecnológicas, econômicas, políticas e sociais. É fato que as mudanças significativas nos trazem desafios e oportunidades. Os recentes avanços tecnológicos desafiam, cotidianamente, produtos e serviços há anos estabelecidos e apresentam enormes oportunidades. Essa realidade evidencia a existência do novo tipo de profissional “analfabeto”, citado acima – aquele que não consegue ajudar as empresas a surfarem na nova onda de mudanças econômicas, sociais, políticas e tecnológicas. Um profissional que não sabe como contribuir para que a organização navegue por esse novo e revolto oceano. Ele não possui as competências necessárias para superar os desafios e aproveitar as novas oportunidades.

 

Por isso, é hora de mudar! O futuro vai acirrar a hipercompetição e teremos de acertar alvos em movimento. Nesse cenário, novas competências farão muita diferença. Com mudanças rápidas e intensas ocorrendo a todo momento, é preciso ter a capacidade de se antecipar a estes eventos. Mais do que isso, teremos de ser agentes que promovem as transformações, acompanham as tendências e estão sempre “aprendendo a aprender” (novas práticas, habilidades, tecnologias, modelos).

 

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Algo ainda mais fundamental e, ao mesmo tempo, muito difícil para alguns, é “aprender a desaprender”. Abrir mão de antigos modelos, velhos paradigmas e crenças, que tiveram muito valor no passado e nos trouxeram até aqui, mas não fazem mais diferença e podem até ser inadequados e prejudiciais. Como a história nos mostra, são os empreendedores que têm essas competências. A nova economia se caracteriza pela vantagem competitiva de organizações e pessoas que possuem competências empreendedoras. As mudanças atuais e futuras do ambiente econômico exigem que as empresas tenham colaboradores com perfil empreendedor.

 

O EMPREENDEDOR CORPORATIVO

 

 

Peter Drucker já antecipava, nos anos 1980: “As empresas de hoje, especialmente as grandes, simplesmente não sobreviverão nesse período de rápida mudança e inovação, a não ser que adquiriram competência empreendedora”. As empresas são uma ficção jurídica, composta por contratos, instalações, mobiliário, equipamentos e utensílios. Por si sós, não têm competências – estas são obtidas de seus integrantes. A mensagem de Drucker é clara: para sobreviver no mundo de hoje, as organizações precisam desenvolver a competência empreendedora dos colaboradores.

 

Estágios do ciclo de vida de uma organização

 

Dividimos e denominamos esses quatro estágios da seguinte forma:

 

1 Empreendedorismo – nesse estágio inicial, a empresa vive plenamente os comportamentos empreendedores. Seus fundadores iniciam o negócio pequeno, com grande parte da operação sendo executada ou acompanhada de perto por eles. Assim, os comportamentos empreendedores dos sócios permeiam toda a operação da empresa. Os sistemas são mais informais e há grande proximidade entre as pessoas. Em consequência, o processo decisório é ágil e a capacidade de adaptação às mudanças é grande.

 

2 Empresariamento – à medida que a empresa cresce e o volume de atividades aumenta, os empreendedores não conseguem mais executar ou acompanhar muitas operações. Os fundadores passam a assumir funções mais táticas e estratégicas do que operacionais. Nesse estágio, acontece a contratação de gestores, departamentalização e definição de processos – entra em cena a burocracia organizacional. É nesse momento que ocorre uma perda importante – os comportamentos empreendedores começam a desaparecer da operação. À frente das principais operações, onde existia um empreendedor, temos agora um gestor, que nem sempre apresenta atitudes empreendedoras. O ambiente organizacional se torna mais formal e burocrático, dificultando a agilidade na tomada de decisões e a capacidade de adaptação às transformações de mercado. Nessa fase, o crescimento já não acontece com a mesma taxa inicial, porque a empresa atingiu a maturidade e já conquistou sua participação no mercado.

 

3 Morte – com o passar do tempo, mudanças intensas ocorrem com uma velocidade cada vez maior. Surgem novas tecnologias, processos mais eficientes, produtos e serviços substitutos, novos entrantes, mudança de hábitos de consumo, medidas regulamentares e uma série de outros eventos. Tudo isso vai diminuindo o ciclo de vida de produtos e serviços, tornando-os ultrapassados ou obsoletos. A empresa que não se adapta a essas transformações, se torna um player menos importante do que foi no passado. Em muitos casos, o resultado será a venda, fechamento ou falência da organização

 

4 Inovação – a única opção da organização para enfrentar e superar os desafios citados é promover continuamente a inovação. Buscar novas oportunidades, assumir riscos, se adaptar às mudanças, se antecipar às tendências, inovar produtos, serviços e processos, buscar novas tecnologias, novos mercados e, muitas vezes, um novo modelo de negócio. Somente assim, conseguirá manter o diferencial competitivo e alcançar o crescimento continuado.

 

Mas, como já dissemos, uma organização nada mais é que um grupo de pessoas. Afinal, tecnologias, hardwares, softwares e ferramentas de gestão são recursos disponíveis a todas as empresas. A inovação somente acontecerá se os gestores adotarem as atitudes adequadas e as ações necessárias. Os comportamentos ligados à inovação (tomada de riscos, busca de informações e oportunidades, melhoria de eficiência) são características de empreendedores diferenciados.

 

As empresas que se encontram no estágio 2 do ciclo enfrentam um grande paradoxo: precisam de comportamentos empreendedores para inovar, mas têm suas principais operações gerenciadas por pessoas pouco empreendedoras. Só há uma solução para esse dilema: seus gestores precisam adotar os comportamentos característicos dos empreendedores de sucesso. Aí está a importância e a necessidade de desenvolver neles o mindset e os comportamentos observados nos fundadores. Também é fundamental promover mudanças internas para tornar o ambiente organizacional mais propício às iniciativas empreendedoras dos colaboradores. Esse é o imperativo de uma organização de médio e grande porte – desenvolver o intraempreendedorismo.

 

 

*Alexandre de Araújo Castro: Mestre Profissional em Administração, com ênfase em empreendedorismo e inovação, pela PUC Minas/FDC. Possui MBA em Gestão de Negócios pela FDC e cursos de extensão em empreendedorismo e inovação na Babson College e na University of California. Alexandre é  instrutor credenciado pela ONU para ministrar treinamento de desenvolvimento de comportamentos empreendedores.

 

 

E na sua empresa, os líderes de equipes e colaboradores-chave têm perfil empreendedor? Em qual dos 4 estágios do ciclo de vida empresarial sua empresa está? Sua empresa já está preparada para ser digital? Como escola de negócios, nós temos soluções para médias empresas que podem fazer com que a sua empresa avance rapidamente com as respostas para as e perguntas acima. Vamos conversar? Nós ligamos para você. Solicite um contato por aqui.

 

 

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